Este é um relato de arquivo na primeira pessoa. Descreve a interpretação de uma pessoa sobre os seus sintomas e a sua experiência. Não é aconselhamento médico, evidência de que um aparelho possa tratar doenças nem um guia para alterar a altura da oclusão sem supervisão profissional. Dor intensa, vómitos, dificuldade em respirar, sintomas de pânico e sofrimento psicológico exigem cuidados médicos qualificados.

Moreno Conte começa a sua história nos termos mais fortes possíveis: sentia que estava a piorar e não encontrava ninguém que compreendesse o que se passava. Enumera diagnósticos e sintomas que, no seu relato, iam de curvaturas da coluna e problemas digestivos a pânico, exaustão e insónias. O arquivo preserva a intensidade desse período, reconhecendo que esses sintomas podem ter muitas causas e precisam de uma avaliação clínica adequada.

Quando o esforço deixou de ajudar

Conte diz que praticava desporto durante o crescimento, mas que, pouco depois dos vinte anos, a dor já dificultava os movimentos. Recorda que lhe diziam para se manter mais direito e que se esforçava por fazê-lo, acabando sempre por regressar à postura que lhe era habitual. O contraste entre o que queria fazer e o que o corpo lhe permitia tornou-se uma fonte de frustração e medo.

Descreve consultas com psicólogos, psiquiatras, profissionais de ortopedia, terapeutas manuais e osteopatas. A conclusão de que não o ajudaram pertence à sua experiência pessoal; não deve ser lida como um juízo sobre essas formas de cuidado para todas as outras pessoas.

Uma hipótese pessoal

No seu ponto mais baixo, Conte iniciou uma investigação pessoal intensiva. Passou a acreditar que a sua oclusão não dava apoio suficiente à cabeça e que a postura anteriorizada da cabeça daí resultante afetava o resto da coluna. Esta foi a hipótese que mais tarde esteve na base do conceito Rectifier.

Imagem de arquivo da história pessoal de Moreno Conte

Conte descreve a boca como um ponto de alavanca e a mandíbula como um apoio para o crânio. Diz que, depois de experimentar uma goteira intraoral concebida por ele, começou a sentir-se capaz de se sentar mais direito sem forçar o movimento. São as suas observações, não uma explicação clinicamente estabelecida da postura ou das alterações da coluna.

O que a história não ensina a fazer

A narrativa original apresenta o aparelho como a resposta que ele procurava. O arquivo em inglês conserva a história da sua origem, mas não a reproduz como um guia de instruções. As alterações da oclusão e os aparelhos intraorais podem comportar riscos reais e devem ser planeados, adaptados e acompanhados por profissionais devidamente qualificados.

Conte refere ter observado alterações nas curvas da coluna ao longo do tempo e ter sentido que certos músculos ficavam menos tensos. Uma perceção pessoal do antes e do depois não permite mostrar que o mesmo processo acontecerá noutra pessoa, nem que possa resolver sintomas que envolvam o sistema nervoso, a digestão, o humor ou o sono.

Porquê conservar o relato

Este relato explica a motivação pessoal por detrás de um método que mais tarde ganhou importância no arquivo de Jaw & Body. O seu valor é histórico: uma pessoa em sofrimento a tentar compreender uma experiência corporal difícil, transformando depois essa procura numa teoria e num produto.

Quem lê pode retirar daqui a importância de ser ouvido, fazer perguntas cuidadosas e procurar cuidados profissionais coordenados. Não deve retirar a promessa de que uma única explicação ou um aparelho possam substituir o trabalho de diagnóstico e tratamento.