Acredita-se que o conceito de beleza depende da época e da sua cultura, e que a beleza espiritual interior é preferível à beleza física. Mas por que razão, então, estamos tantas vezes descontentes com o nosso corpo físico e desejamos tanto ser belos? Porque admiramos tanto a simetria corporal e a consideramos inconscientemente atraente? À procura de respostas, recorramos aos conhecimentos antigos e às descobertas modernas, e descubramos até que ponto é natural a nossa procura de beleza e simetria…
A simetria é atraente?

Na Internet, podem encontrar muitas fotografias de celebridades com duas metades do rosto combinadas no Photoshop, o que tem um aspeto bastante assustador. Quem faz estas brincadeiras tenta assim demonstrar que a simetria é feia e antinatural. No entanto, se observarmos melhor os originais dessas fotografias, podemos reparar que as metades dos rostos são completamente diferentes e nada têm que ver com a verdadeira simetria. Se olharmos para um rosto verdadeiramente simétrico, não podemos deixar de ficar fascinados.

Os estudos dos cientistas indicam que muito daquilo que uma pessoa admira involuntariamente e considera belo tem uma relação direta com a simetria do rosto e do corpo. É a simetria que as pessoas em todo o mundo identificam inconscientemente com a atração. Além disso, costumamos chamar bela a uma coisa proporcional. Já a escola de Pitágoras, que relacionava a beleza com a matemática, observava que os objetos cujas proporções estão de acordo com a proporção áurea, comum na natureza e na estrutura do Universo, são percecionados como mais belos.
A espiritualidade da beleza e da simetria

Os moralistas apressam-se a condenar a moderna «loucura da beleza» como uma «influência malévola do Ocidente», gerada por empresas transnacionais de cosméticos e meios de comunicação perniciosos, esquecendo que a pintura, a escultura e a literatura de uma das culturas espirituais mais antigas do mundo — a Índia — eram muito eloquentes na exaltação da forma feminina ideal e da proporcionalidade dos rostos e corpos femininos. As deusas da Índia antiga eram representadas como sensuais e belas e, pelo menos mil anos antes do início da era cristã, existia a tradição da nagarvadhu — a escolha da mulher mais bela da cidade. Receber este título era uma grande honra, e depois a bela era venerada pelo povo como uma deusa. Numerosos textos budistas descrevem o diálogo entre a lendária nagarvadhu Amrapali e o próprio Buda, que reconheceu a sua beleza sobrenatural. O antigo médico indiano Charvaka estudava minuciosamente a simetria do corpo ao diagnosticar doenças, e o famoso poeta sânscrito Kalidasa dizia que «a beleza tem qualidades espirituais».
Surpreendentemente, todos os templos da Índia antiga, do Egito, da Grécia e alguns templos europeus medievais foram construídos exatamente de acordo com as proporções de um corpo humano ideal. É que os antigos consideravam o corpo humano um reflexo da estrutura perfeita do Universo e os templos um lugar onde uma pessoa pode atualizar as suas «definições» para um padrão universal perfeito. O famoso desenho do «Homem Vitruviano», de Leonardo da Vinci, foi criado por ele com base na determinação das proporções do corpo humano descrita no tratado do arquiteto romano Vitrúvio. Este, por sua vez, aprendeu com os antigos gregos e os antigos egípcios. A investigação moderna em biologia evolutiva e psicologia confirmou que existe uma ligação direta entre o grau de simetria do corpo e a avaliação da sua atratividade. Observou-se que até as crianças pequenas olham durante mais tempo para pessoas simétricas. Mas porque admiramos tanto, inconscientemente, esta simetria corporal?
O ADN traiçoeiro

A resposta está à vista, na «armadilha mágica» da natureza, formulada por Charles Darwin como seleção natural. Há realmente alguma verdade nisto — nos tempos antigos, as pessoas tinham de garantir de alguma forma que geravam filhos saudáveis, para que os melhores genes pudessem ser transmitidos às gerações seguintes. Como os testes de ADN ainda não tinham sido inventados, os nossos antepassados confiavam no instinto — afinal, quanto mais simétrico o corpo, melhores as suas hipóteses de sobrevivência. De facto, a simetria é considerada um indicador do nível de saúde de uma pessoa — os cientistas provaram que as pessoas com um corpo simétrico lidam melhor com o stress físico e psicológico, têm maior resistência às doenças, são mais enérgicas e férteis. É por isso que, a um nível inconsciente, atração e saúde são uma e a mesma coisa. Fisiologicamente, a atratividade é um indicador de saúde e qualidade genética.
Os psicólogos evolutivos acreditam que a mente humana é composta por milhares de módulos, um dos quais foi concebido para reconhecer o «parceiro ideal». Estes módulos guardam informação durante séculos — por isso, uma pessoa nunca se engana ao escolher instintivamente o parceiro certo para si — aqui, a «experiência das gerações anteriores» atua com base no «chamamento do ADN», que é o «bloco de construção» da vida — a sua «chave», o seu «código-fonte». Mas aqui espera-nos uma surpresa — se observarmos uma molécula de ADN em corte transversal, obteremos… exatamente a «máscara da beleza» da proporção áurea, decagonal e simétrica em todos os aspetos — a Matriz universal da beleza!

Afinal, um corpo humano simétrico como padrão está «escrito» no «código de vida» original do ADN pela própria natureza! É por isso que, durante milhares de anos, uma mulher da proporção áurea, com altura média e uma proporção das ancas em relação à cintura de setenta por cento, foi considerada uma mulher terrena perfeita. É esta mulher saudável que, ao longo dos séculos, os homens percecionam como o ideal de beleza, capaz de inspirar um feito heroico e a criatividade mais sublime de um músico ou de um poeta. De todas as mulheres conhecidas hoje na Terra, o corpo que mais se aproxima do ideal é o da famosa atriz de Hollywood Scarlett Johansson — aproxima-se em 96,4% da proporção áurea. Kim Kardashian, a modelo britânica Kelly Brook e a deslumbrante mexicana Salma Hayek ficam um pouco atrás deste ideal.
É possível alcançar a simetria?

Tudo isto é ótimo, dirão, mas poucos de nós nascemos simétricos — e terão razão. Noventa e oito por cento da população mundial encontra-se neste estado assimétrico. As pessoas com assimetria têm o seu próprio encanto e também alcançam sucesso na vida, mas quanto tempo pode durar a biomáquina do corpo humano neste estado? No campo da mecânica, podemos demonstrar a importância da simetria com um pequeno exemplo: um carro é concebido de forma que a sua metade esquerda seja o espelho da direita. Tentem imaginar um carro com o chassis torto — dificilmente alguém o comprará. É de esperar, pois um carro com uma aparência assimétrica tem muito mais probabilidades de avariar do que um simétrico.
De facto, um carro assimétrico sujeitará alguns dos seus componentes a mais desgaste do que outros. Por exemplo, o peso desse carro não será distribuído uniformemente pelos pneus, que terão de suportar mais peso e se desgastarão mais depressa. Uma lei semelhante é perfeitamente aplicável ao próprio «automobilista». A simetria musculoesquelética é um elemento necessário se uma pessoa quiser tirar o máximo partido do seu corpo. Uma postura perfeita torna o corpo humano supereficiente, capaz de executar qualquer atividade com o menor dispêndio de energia. A postura ideal reduz significativamente a probabilidade de a biomáquina do corpo humano avariar de alguma forma — sofrer lesões desportivas, indisposições, falta de concentração, doenças crónicas, etc.
Até há pouco tempo, acreditava-se na medicina que era impossível alcançar um corpo simétrico, mas a ciência não fica parada. A craniodontia, o Starecta e o mewing, até há pouco considerados métodos de tratamento não convencionais, permitem alcançar uma simetria corporal ideal ao influenciar o sistema dentário do organismo. Ao «apenas» ajustar a posição dos maxilares, ambos os métodos alternativos permitem aproximarmo-nos da maior simetria possível e melhorar a qualidade da saúde e da vida.


«Seja o que for que se considere beleza, ela é fundamentalmente harmonia e unidade», disse um sacerdote católico. Os filósofos da Grécia antiga percecionavam a beleza e a simetria como um fenómeno objetivo e ontológico na sua essência, associado à perfeição do Universo e à compreensão do cosmos como uma ordem mundial harmoniosa. Assim, o desejo humano inato de beleza e simetria torna-se tão compreensível — assenta no nosso desejo de regressar ao padrão natural concebido pelo Universo, numa ânsia pela harmonia e integridade originais …
4 comentários
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"Na Internet, podem encontrar muitas fotografias de celebridades em que as duas metades do rosto foram combinadas no Photoshop, e o resultado é bastante assustador. As pessoas fazem isto para tentar mostrar que a simetria é feia e antinatural. No entanto, se olharmos mais de perto para os originais destas fotografias, podemos ver que as metades dos rostos são completamente diferentes e nada têm que ver com a verdadeira simetria."
Quer dizer que são fotografias em que o rosto da celebridade já está posicionado assimetricamente à partida? E que, se fosse tirada uma fotografia normal da mesma celebridade e uma metade do rosto fosse espelhada para formar um rosto inteiro, ficaria bonito? Pode explicar, por favor)
/en/mewing/starecta-and-mewing