O artigo de arquivo afirmava que a instabilidade pélvica, os sintomas lombares e a função dos órgãos pélvicos eram, em última análise, controlados pelos maxilares e não podiam ser resolvidos enquanto um método dentário não alterasse a oclusão. Apresentava um aparelho dentário como a resposta que faltava quando os cuidados manuais não produziam um resultado duradouro. Essas alegações não são mantidas. Este texto de substituição explica o princípio mais seguro: os sintomas pélvicos precisam de uma avaliação própria.
O desconforto pélvico, a dor lombar, a dor na zona das ancas, as alterações do movimento ou os sintomas relacionados com a função da bexiga ou do intestino podem ser perturbadores. Podem ter muitas causas possíveis. Uma observação da postura ou a forma como os dentes de uma pessoa contactam não permite identificar uma dessas causas, e uma única melhoria após qualquer intervenção não prova uma causa universal.
Começar pelo sintoma, não por uma teoria
Anota onde sentes o problema, quando começou, se é constante ou se vai e vem, o que o afeta e se há alterações associadas no movimento, no sono, na bexiga, no intestino, na função menstrual ou noutras funções corporais. Este registo ajuda um profissional clínico qualificado a decidir que tipo de avaliação poderá ser adequado.
A visão geral do NHS sobre a dor pélvica enuncia claramente o ponto essencial: o tratamento depende da causa. A dor pélvica pode estar relacionada com os órgãos da região pélvica, o sistema musculoesquelético ou outros fatores. Não pode ser reduzida, à distância, a uma explicação dentária.
Distinguir as questões dentárias das musculoesqueléticas
Uma pessoa pode ter um problema nos maxilares e um problema pélvico ou vertebral ao mesmo tempo. Um profissional de medicina dentária pode avaliar os dentes, a oclusão, o movimento dos maxilares e a saúde oral. Um profissional médico ou da área musculoesquelética pode avaliar os sintomas no âmbito das suas próprias competências. Quando adequado, os profissionais podem articular o seu trabalho, mas essa articulação não prova que uma parte do corpo tenha causado tudo o que acontece nas outras.
A terapia manual, a fisioterapia e outras abordagens podem ser discutidas como parte de um plano individual. Não devem ser vendidas como uma forma de corrigir todo o corpo através de um único ponto de contacto, e uma alteração temporária do conforto ou do alinhamento não deve ser apresentada como prova de um diagnóstico definitivo.
Saber quando não esperar
Dor pélvica intensa ou a agravar-se, desmaio, dificuldade em respirar, hemorragia abundante, novos problemas de controlo da bexiga ou do intestino, dormência em redor dos órgãos genitais ou do ânus, ou fraqueza a agravar-se rapidamente exigem uma avaliação local urgente ou de emergência, sem demora. No caso da dor nas costas, as orientações do NHS destacam vários destes sinais de alerta. Não são motivos para testar a oclusão, esperar por um ajuste manual ou comprar um dispositivo.
Perguntas que ajudam a construir um plano concreto
Pergunta o que está a ser avaliado, que outras explicações devem ser consideradas, o que poderá precisar de revisão urgente, como será medido o progresso e quando será adequado encaminhar-te para outro profissional. Se o plano incluir cuidados dentários, pergunta a que problema dentário específico se destinam e se o benefício esperado se limita a esse problema.
A pessoa, no seu todo, merece ser levada a sério. Isso significa dar a cada sintoma a avaliação certa, em vez de pedir a uma teoria que faça o trabalho de todas as especialidades.
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